Em 2026, o aperto da China nos controles de exportação de terras raras, tungstênio e antimônio causou picos de preço globais de seis vezes e reduziu as taxas de aprovação de licenças europeias abaixo de 25%, expondo a aguda dependência ocidental do domínio de processamento de Pequim. Com a China controlando cerca de 90% do processamento global de terras raras, 80% do tungstênio e 60% do antimônio, esses minerais críticos se tornaram a principal arma assimétrica de Pequim na rivalidade tecnológica e de defesa com o Ocidente. A recém-formada aliança FORGE (Fórum sobre Engajamento Geopolítico de Recursos), lançada em fevereiro de 2026 com 54 nações e mais de US$30 bilhões em compromissos, representa uma tentativa urgente de reconstruir capacidade de processamento independente, mas analistas alertam que esse esforço enfrenta um prazo de 20 a 30 anos.
Contexto: O Regime de Controle de Exportações de 2026
Os controles não surgiram da noite para o dia. A partir de abril de 2025, com requisitos de licenciamento para sete terras raras, seguiram-se restrições em outubro de 2025 sobre tungstênio e antimônio. As medidas de outubro incluíram disposições inovadoras que se aplicam a produtos estrangeiros contendo pelo menos 0,1% de terras raras de origem chinesa, estendendo o alcance de Pequim. Em 2026, as empresas europeias enfrentam taxas de aprovação abaixo de 25%, enquanto os preços dispararam até seis vezes. A disrupção na cadeia de suprimentos de minerais críticos impactou diretamente contratantes de defesa, fabricantes de veículos elétricos e desenvolvedores de energia renovável, com mais de 80% das empresas europeias dependentes de cadeias chinesas.
A Aliança FORGE: Uma Resposta de US$30 Bilhões
Em 4 de fevereiro de 2026, os EUA sediaram a Reunião Ministerial de Minerais Críticos, criando a FORGE como sucessora da Parceria de Segurança Mineral da era Biden. A FORGE opera como uma zona de comércio e investimento preferencial com pisos de preço coordenados. A Coreia do Sul presidirá o novo fórum.
Principais Resultados da Reunião Ministerial
- 11 novos acordos bilaterais assinados com países como Argentina, Marrocos e Peru, totalizando 21 acordos em cinco meses.
- Mais de US$30 bilhões mobilizados em cartas de interesse, investimentos e empréstimos do governo dos EUA.
- Projeto Vault: Uma parceria público-privada de US$12 bilhões que estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA, financiada por um empréstimo recorde de US$10 bilhões do Exim Bank e quase US$2 bilhões em capital privado. Participantes como Clarios, GE Vernova, Western Digital e Boeing podem fixar taxas de compra e usar o estoque conforme necessário.
A estratégia de minerais críticos da aliança FORGE representa uma mudança significativa, praticando estadismo através dos mercados. No entanto, enfrenta um paradoxo estrutural: a demanda de longo prazo por minerais críticos deve quadruplicar até 2050, mas os preços das commodities estão em colapso — o lítio caiu 80% desde os picos de 2022 — dificultando investimentos.
15º Plano Quinquenal da China: Arma de Terras Raras
O plano 2026-2030 identifica terras raras como ativos estratégicos pela primeira vez, pedindo expansão da mineração doméstica e fortalecimento dos controles de exportação. A China investiu cerca de US$57 bilhões desde 2000 para construir sua cadeia integrada, e a demanda doméstica deve absorver a produção crescente, reduzindo as exportações de cerca de 50% para apenas 25% até 2030. O domínio de Pequim se estende a patentes: um relatório de 2026 identificou 22.040 famílias de patentes em tecnologias de terras raras, com a China respondendo por 81% dos registros. Essa dominância de patentes de terras raras da China cria barreiras adicionais para concorrentes ocidentais.
Implicações Estratégicas: Alavancagem Assimétrica
Analistas alertam que a China está armarizando o controle, não a escassez. Ao manter restrições temporárias e reversíveis, Pequim mantém poder de precificação e extrai concessões diplomáticas, desencorajando investimentos ocidentais em alternativas. A análise de múltiplas instituições alerta que as nações ocidentais têm uma janela de 12 a 18 meses para agir decisivamente. O impacto já é sentido em setores críticos. As cadeias de suprimentos de defesa ocidentais — dependentes de terras raras para munições guiadas com precisão e sistemas de radar — enfrentam ameaças diretas. A vulnerabilidade de aplicações de defesa em terras raras levou a OTAN a acelerar sua própria estratégia. Enquanto isso, a transição energética enfrenta inflação de custos e incerteza de suprimentos.
Pode o Ocidente se Libertarr?
Vários projetos de processamento ocidentais estão avançando. A MP Materials opera Mountain Pass na Califórnia, produzindo óxido de neodímio-praseodímio domesticamente. A Lynas Rare Earths da Austrália está expandindo, e a REEtec da Europa está crescendo. No entanto, esses projetos levam anos para atingir escala significativa. A reconstrução de alternativas independentes levaria de 20 a 30 anos — muito além da janela geopolítica atual. Os custos de produção no Ocidente permanecem muito mais altos, e a escassez de mão de obra, atrasos de licenciamento ambiental e investimento chinês contínuo agravam o desafio.
Perspectivas de Especialistas
O Ocidente enfrenta uma exposição estrutural que vai além da aquisição, para P&D, compromissos ESG e modelos de avaliação, onde o risco de suprimento segue a temperatura política, não os sinais de mercado, observa uma análise multinstitucional. A FORGE representa uma tentativa ambiciosa de criar um ecossistema paralelo, mas a incompatibilidade de prazos entre urgência política e realidade industrial é o desafio definidor. Outros especialistas alertam que o mecanismo de piso de preço da FORGE pode distorcer mercados e criar ineficiências.
Perguntas Frequentes
O que é o controle de exportação da China de 2026 sobre minerais críticos?
Os controles impõem requisitos de licenciamento para terras raras, tungstênio e antimônio, com taxas de aprovação abaixo de 25% para empresas europeias. As medidas também se aplicam a produtos estrangeiros que contenham terras raras de origem chinesa.
O que é a aliança FORGE?
O Fórum sobre Engajamento Geopolítico de Recursos (FORGE) é uma coalizão de 54 nações lançada em fevereiro de 2026 para contrariar o domínio da China. Sucede a Parceria de Segurança Mineral e opera como zona de comércio preferencial, com mais de US$30 bilhões em compromissos.
Quanto a China controla o processamento global de terras raras?
A China controla cerca de 90% do processamento de terras raras, 80% do tungstênio e 60% do antimônio. Detém também 81% das patentes relacionadas a terras raras.
Quanto tempo levará para o Ocidente construir capacidade independente?
Analistas estimam de 20 a 30 anos para reconstruir capacidade de processamento independente. A janela para ação decisiva está se estreitando para 12 a 18 meses.
O que é o Projeto Vault?
O Projeto Vault é uma parceria público-privada de US$12 bilhões que estabelece a Reserva Estratégica de Minerais Críticos dos EUA, financiada por um empréstimo de US$10 bilhões do Exim Bank. Permite que empresas fixem taxas de compra e usem o estoque contra interrupções.
Conclusão: Uma História Definidora de Geopolítica de Recursos
O 15º Plano Quinquenal da China armou explicitamente as terras raras como ativos estratégicos pela primeira vez, enquanto choques de preço e interrupções de suprimento já impactam as cadeias de defesa e energia verde do Ocidente. A aliança FORGE representa a resposta ocidental mais ambiciosa até agora, mas a lacuna entre urgência política e realidade industrial permanece vasta. A janela de 12 a 18 meses está se fechando, e o custo da inação cresce a cada dia.
Fontes
- Departamento de Estado dos EUA - Reunião Ministerial de 2026
- Rare Earth Exchanges - Análise dos Controles de 2026
- Exim Bank - Anúncio do Projeto Vault
- Bipartisan Policy Center - Análise do Projeto Vault e FORGE
- Atlantic Council - Política de Minerais Críticos dos EUA
- Global Trade Alert - Inventário de Controles Chineses
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